PAI E O SER DEVIR- NO-AFETO
PAI E O SER DEVIR- NO-AFETO
Leonardo Nunes Evangelista
" Dominante Sofre o exercício de sua dominação" - MARX
Entre todas as acusações e hipocrisias desta sociedade decadente, das prenoções e julgamentos sem fundamentação empírica, nada mais me enoja que a ridicularização do papel de pai. Serve-se de toda caricatura possível para o pai tais como: idiota, coronel da benção, atrapalhado nos afazeres domésticos, analfabeto em trocar uma fralda e, além de tudo, só servisse para pagar pensão. Entre o não ser-machista e ser-homem, eis o paradoxo aparente que reconfigura nosso imaginário nesse universo social de contradições. Assim, mergulhado nesse mundo de aparências e não de intencionalidades afetivas, muita das vezes me sentia constrangido em ocasiões onde era o único "pai" em presença. Sentado ali vendo as atividades e celebrações no meio de mães que só falavam em academia e shopping, além das milhares de críticas aos maridos, sentia-me deslocado . Nao pelo Heitor mas por não entender que mesmo hoje, o afeto não se restringe somente a mãe. Aqui e agora, minha e exclusivamente única! Vivência legítima acontece justamente o contrário ! Sendo pai solteiro , com o tempo , eu que nunca sequer tive afeto do meu pai , encarei a sociologia auto reflexiva na carne pela primeira vez : seria meu o preconceito? Seria das instituições do que fazia parte? Porque não fui como o meu pai? Existem outros pais dividindo esses momentos de solidão? Alguém será inteligível a tal angustia?
Entre tantos questionamentos existenciais, sociológicos, psicanalíticos e botequininicos, como tudo na minha vida, a unica opção era ser forte na causa e no afeto. O que move é a vontade de ser pai no afeto e não no machismo ! Eis ai a nossa forca! Assim, o conflito entre o ser pai provedor e o ser pai do afeto desencadeou em duas desconstruções. A primeira do pai enquanto devir provedor e a segunda do pai enquanto instituição. Para tal desconstrução busquei construí a do pai enquanto ser-que -cuida-no- afeto; enquanto reconhecimento que quem precisa mudar não é o afeto são as instituições. Aqui a força de pais que como eu compartilham do mesmo interstício. Pois no mundo dos ismos: feminismos e machismos, a única opção é o devir do afeto.
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